sábado, 26 de fevereiro de 2011

Desventura

“Foi só um dia ruim. Amanhã será diferente. Não se preocupe.” Foi assim que meu marido me consolou a pouco.
Mas hoje não foi só um dia ruim. Foi um dia inútil. Não fiz nada, nada mesmo. Nem as famigeradas tarefas domésticas. Houve um tempo que um dia assim seria a glória, só que esse tempo é passado. Nessa época eu trabalhava como professora em tempo integral e fazia faculdade, e na faculdade eu me desdobrava, fui boa aluna e militei no Movimento Estudantil. Em alguns períodos também namorei. No último ano passei uma semana dormindo umas 3 ou 4 horas por dia para poder, junto com outras  pessoas é claro, organizar a eleição do DCE, além de fechar as notas bimestrais de meus alunos.
Essa foi uma época em que eu ouvia de forma recorrente de um amigo: “você é capaz de parar? Lagartear por cinco minutos? Senta aí e sossega, no mínimo uns dez minutos, aproveita o dia de folga.” Dois minutos depois: “Ok! Você não é capaz disso! Eu desisto!”
E hoje? Hoje a vida não nem um pouco assim e eu me fico sentida, mexida, preocupada. Essa “eu” que aqui está com tempo de escrever na internet não é a “eu” com quem eu me identifico. Nem sei direito quem ela é.
Por muito, muito tempo a parte mais importante de mim era a professora. E essa daí também não parava, fazia cursos, participava das coisas... Faz um ano que eu não me encontro com ela, então muitas vezes não sei o que fazer...
Claro que o fato de eu estar com uma baita TPM daquelas também não ajuda em nada, mas ainda assim. A TPM potencializa, faz com que eu veja profundamente algo que sempre carrego comigo e que escolho vivenciar com cores menos fortes, só que sempre está lá. Nos dias “normais” – as aspas são porque TPM é normal, mesmo que me transforme em uma maluca chorona - faço com que as coisas fiquem mais leves, tenham outro sentido.  
Sei que meu marido tem razão, amanhã pode ser diferente, mas respondam-me: já viram razão em uma mulher com TPM?

Joviais, balzaquianas e loucas saudações

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Amigos

Tenho sorte, muita sorte!
Tenho amigos. Sabem o quanto isso é importante para uma balzaquiana? Muito!
Tenho amigos recém feitos e amigos antigos. Tenho aqueles que converso frivolidades e volto feliz para casa. Ainda há aqueles que quando vejo e converso descubro o melhor de mim. Tem aqueles que quase nunca falo, mas que levo no meu coração e eu sei estou com eles.
E tem uns dois ou três que são diferentes: são aqueles que posso falar ou não, demorar anos para ver e ainda assim a amizade seria o que há de mais forte... Anteontem conversei com alguém assim. Ela está a um oceano de distância. A meses de uma garrafa de vinho e risada e ainda assim é uma pessoa muito importante na minha vida! É tão bom reconhecer isso e mais perceber que para minha maior sorte essa não é minha única amiga – e mesmo que fosse já seria muito.
O tempo passa cada vez mais rápido é bom que isso se faça com boas companhias, na memória, no coração, no cotidiano...

Joviais e Balzaquianas saudações


terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Passos

Pois é... Acho  acertei o momento de começar a escrever: segundo dia e já tenho o que contar.
Então vamos ao começo: como a maioria das mulheres que tornam-se balzaquianas eu passei por uma fase de auto-análise. O que eu descobri? Que ao fazer 30 ainda não tinha qualquer tipo de pós-graduação, não tinha filhos e nem um emprego.
Pronto! Tenho os ingredientes para um bom drama mexicano. Mas nasci no Brasil e faz uns dez ou doze anos que decidi que evitaria dramas de qualquer espécie. Então após um ano de adaptação a cidadezinha que vim morar devido ao emprego do meu marido hoje dei passos importantes:
Número um: fui ao ginecologista, farei uns exames e se tudo correr bem começo a tentar engravidar.
Número dois: verifiquei e já organizei o que necessito para fazer uma pós-graduação. A inscrição será feita amanhã.
Alguma outra balzaquiana deve pensar: porque essa doida quer fazer tudo ao mesmo tempo? A questão é tudo não, duas das três coisas eu acho que são compatíveis, então dou um tempo em procurar emprego quando e se engravidar. Enquanto não arranjo trabalho posso me dedicar de forma adequada aos estudos, coisa que não faço desde que terminei o Ensino Fundamental, pois desde então trabalho e estudo.
Fazer uma especialização em uma faculdade particular sem grande expressão não era exatamente meu plano, mas pode ser um bom caminho para aquilo que eu realmente quero: o mestrado em uma boa universidade.
Talvez os planos de gravidez se interponham ao mestrado, pois estou a quatro horas da cidade mais próxima que tem um bom, mas é um risco que quero correr, não quero esperar mais pra fazer algo acadêmico ou para ser mãe. Eu conto com um bom companheiro que vai me ajudar a dar conta de tudo e assim mudar o enredo de drama mexicano.
E assim a vida segue.

Joviais e balzaquianas saudações!!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Começo

Tudo começou a pouco mais de um mês: eu definitivamente virei uma balzaquiana! Levei um susto, pois o danado do espelho não havia contado nada.
Chovia, chovia muito. Fiquei ensopada! Era o meio de uma viagem que meu marido fez comigo para tornar essa história de fazer 30 mais fácil. Ele acertou em cheio! Foi ótimo. Ainda mais que eu sei foi pra ele uma tremenda aventura, uma vez que o moço detesta viajar, claro que se o destino for um congresso a coisa muda de figura.
Já deu para perceber que sou casada com um cara apaixonado por seu trabalho. Tenho a mais absoluta certeza que sou a pessoa que ele mais ama no mundo, só não garanto que ele ame mais o trabalho do que a mim. Mas isso definitivamente não tem importância.
Em meio a essa mudança, uma vez que irremediavelmente me tornei "trintona", decidi iniciar um blog pra compartilhar as dores e os amores dessa nova fase, bem como me forçar a manter o saudável hábito da escrita!
Para inicio de conversa é só: mais tarde talvez eu escreva mais.

Joviais e balzaquianas saudações