“Foi só um dia ruim. Amanhã será diferente. Não se preocupe.” Foi assim que meu marido me consolou a pouco.
Mas hoje não foi só um dia ruim. Foi um dia inútil. Não fiz nada, nada mesmo. Nem as famigeradas tarefas domésticas. Houve um tempo que um dia assim seria a glória, só que esse tempo é passado. Nessa época eu trabalhava como professora em tempo integral e fazia faculdade, e na faculdade eu me desdobrava, fui boa aluna e militei no Movimento Estudantil. Em alguns períodos também namorei. No último ano passei uma semana dormindo umas 3 ou 4 horas por dia para poder, junto com outras pessoas é claro, organizar a eleição do DCE, além de fechar as notas bimestrais de meus alunos.
Essa foi uma época em que eu ouvia de forma recorrente de um amigo: “você é capaz de parar? Lagartear por cinco minutos? Senta aí e sossega, no mínimo uns dez minutos, aproveita o dia de folga.” Dois minutos depois: “Ok! Você não é capaz disso! Eu desisto!”
E hoje? Hoje a vida não nem um pouco assim e eu me fico sentida, mexida, preocupada. Essa “eu” que aqui está com tempo de escrever na internet não é a “eu” com quem eu me identifico. Nem sei direito quem ela é.
Por muito, muito tempo a parte mais importante de mim era a professora. E essa daí também não parava, fazia cursos, participava das coisas... Faz um ano que eu não me encontro com ela, então muitas vezes não sei o que fazer...
Claro que o fato de eu estar com uma baita TPM daquelas também não ajuda em nada, mas ainda assim. A TPM potencializa, faz com que eu veja profundamente algo que sempre carrego comigo e que escolho vivenciar com cores menos fortes, só que sempre está lá. Nos dias “normais” – as aspas são porque TPM é normal, mesmo que me transforme em uma maluca chorona - faço com que as coisas fiquem mais leves, tenham outro sentido.
Sei que meu marido tem razão, amanhã pode ser diferente, mas respondam-me: já viram razão em uma mulher com TPM?
Joviais, balzaquianas e loucas saudações