segunda-feira, 28 de março de 2011

Velhas Desventuras, Novas Consequências...





Tem coisas que nos acompanham sempre. Coisas boas, como amigos, bons momentos, aquela história que te faz suspirar sorrindo e que outros não entenderiam... já outras coisas que se pudéssemos escolher, escolheríamos esquecer ou simplesmente não ter. Tenho três delas: uma história familiar com alcolismo, o primeiro namorado que foi um canalha e me perseguiu por anos e uma doença psiquiátrica.
Tenho síndrome do pânico. Tinha no passado, tenho no presente e terei no futuro.Crise feia mesmo, que precisei de psiquiatra, remédio e psicoterapia foi uma só – espero que nunca mais tenha assim. Mas lembro da primeira vez que tive um ataque:
Eu estava no último ano na faculdade que fiz no interior do Paraná, e fui a um congresso em São Paulo, capital. Eu estava exausta, pois na mesma semana tive o trabalho normal de professora e ainda ajudei na eleição do DCE da universidade. Logo que cheguei saí com alguns amigos e outros conhecidos – o congresso começaria no dia seguinte. Estávamos no metrô e eu fui uma das últimas a passar na catraca. Quando fui passar, simplesmente travei. Não conseguia passar na catraca. Meu cérebro deu “tilte” e simplesmente resolveu que minhas pernas não moveriam um músculo. Eu só dizia: “Eu não posso passar!” Meus amigos (amigos de verdade, pessoas que até hoje prezo muito) riam, riam muito e respondiam: “Pode, pode sim! Vamos, passa logo!”.
Eu estava lá parada. Não conseguia passar, a certeza que eu tinha é que se tentasse o mundo desabaria aos meus pés. Pode parecer louco, mas foi real. A solução quem deu foi um conhecido , ele não era meu amigo, tínhamos nos visto apenas uma vez antes daquele dia: ele chegou perto de mim e com uma voz que inspirava compaixão, mas não pena ou escárnio, disse: “Tudo bem, tudo vai dar certo! Eu te ajudo pegue minha mão. Não vai acontecer nada.” E segurando a mão dele, mas sem confiança, atravessei.
Naquela época não entendi o que se passou e atribuí ao estresse aquela triste cena. Só depois que tive minha crise grande e fui ao médico passei a entender. Infelizmente não acho que tenha agradecido o suficiente essa pessoa que foi pra mim um anjo.
Essa história toda veio a tona por conta de uma discussão que tive com uma amiga que acha um absurdo eu não acompanhar meu marido a um congresso no exterior no meio do ano. Acontece que ele vai para um país do leste europeu e meu inglês é ridículo. Quem conhece meu marido sabe que ele vai ao congresso e participa realmente dele. Eu estaria sozinha, no máximo jantaria com ele algumas noites. Nem todas porque em algumas há atividades do próprio congresso. Mas como poderia ir, e me virar sozinha em um país exótico, que não é grande destino turístico, sem falar uma outra língua que não o português? Isso depois de umas dezoito horas de vôo – e eu tenho um enorme medo de voar?
Tem coisas que devemos simplesmente enfrentar para que o medo não nos paralize. Tem coisas que devemos ser sábios e não confrontar. Por isso pego um vôo de uma hora e meia para ver minha família no máximo a cada dois meses. Porém pegarei esse mesmo vôo e ficarei com eles enquanto aguardo o retorno do meu marido.

Joviais e Balzaquianas saudações!

terça-feira, 22 de março de 2011

...

Depois de três gloriosos dias sem chuvas significativas hoje voltou a chover. Parece-me emblemático que um pouco antes eu tenha visto uma cena chocante: uma mulher jogando lixo na encosta de um morro.
A cidade não está entre as dez mais em limpeza urbana, mas o caminhão de lixo passa em quase toda ela. Aonde não passa, como na minha casa, não se precisa andar mais que uma quadra. Então me pergunto: por que fazer isso? Não pode ser falta de informação. A televisão ensina como fazer, a escola reforça, campanhas são feitas...
E ainda vejo o lixo no meio do morro.
Será que é necessário mais casas desabaram? Já não sei.
A única coisa que tenho certeza é que isso me entristece profundamente.
Da maneira que fui criada parece insano viver assim. Mas aqui se vive...
Joviais e balzaquianas saudações.

domingo, 13 de março de 2011

Domingo



Este sempre é um dia estranho, preguiçoso. Quando trabalhava e estudava este representava o fim da moleza e, portanto diferente do sábado em que eu estava disposta a arrumar a casa, sair, passear, badalar... Domingo era dia de coisas mais relaxantes, cozinhar, ler um bom livro, ver um filme, conversar com os amigos – claro que em geral fazia duas ou mais dessas coisas ao mesmo tempo, pois uma de cada vez sempre me pareceu perda de tempo, excetuando a leitura é claro. De toda forma domingo sempre foi melancólico.
Hoje meus domingos são diferentes, não por conta deles em si e sim por segunda-feira não mais representar a volta de uma inexorável rotina. No entanto os reflexos desse tempo se fazem sentir ainda e domingo continua melancólico.
Esses últimos dias vivi intermináveis domingos. Chove todos os dias e como moro em uma região de morros vejo cotidianamente lama, pedras e terra descer pelas encostas e ruas. A cidade parece ruir.
Ao que tudo indica estou em uma região segura e o ângulo do morro em que me encontro favorece em muito essa idéia. Ainda assim é difícil ver diariamente casas ameaçadas, ruas fechadas, amigos em apuros, pois o abastecimento de água não ocorre em toda a região.
Por ironia a cidade da minha infância, distante mais de mil quilômetros daqui vive situação semelhante. Dá uma sensação de que não há escapatória e que segurança e conforto são palavras vazias.
Pode parecer estranho, pois como já afirmei que estou em segurança e aqui não há qualquer problema para abastecimento de água, energia, comida... O que ocorre é que ver, saber, que outros seres humanos, e mais seres humanos ao alcance da visão perderam o pouquinho de segurança e conforto que tinham aperta o coração.
Mesmo sabendo que em horas assim não há nação mais solidária que a nossa: água, comida e cobertores logo chegarão aos necessitados, quando a chuva cessar e os dias se sucederem e a solidariedade for se derretendo conforme o sol seca a terra a maior questão fica:
Em que pedaço de chão essas pessoas reconstruirão sua vida? Continuarão penduradas em casas construídas só com o conhecimento práticos em lugares em que nem ótimos engenheiros fariam cálculos suficientes para segurança? Nada contra o conhecimento prático, mas a experiência diz que numa casa a segurança está na união do conhecimento acadêmico ao prático. No próximo ano veremos mais enchentes e deslizamentos? Acredito que sim.
Isso faz com que a melancolia domingueira pareça uma doce comemoração perto da das pedras e lama que cobrem as ruas da cidade onde moro e a cidade onde cresci.

Joviais, balzaquianas e preocupadas saudações

quinta-feira, 10 de março de 2011

Um bom dia

Quem convive com o meu marido não imagina. Nem pode. Existe um dele só pra mim. É um cara falante, bem humorado, que vive me fazendo rir... Hoje foi assim, mais um dia chuvoso, em que estou presa dentro de casa e ele ao chegar em casa para o almoço me fez rir... transformou a tarde.
Minha vida ultimamente está tão boa que tenho medo que tudo acabe, mude... Mas tudo bem. Ter medo de perder o que gostamos é normal. Só não podemos deixar o medo tomar conta.
É claro que minhas desventuras, como nos textos anteriores, por vezes acontecem, mas nem contam quando tenho dias como hoje.

Joviais e Balzaquianas Saudações

quarta-feira, 9 de março de 2011

Mais desventuras

Pode até parecer, mas não desisti!
Esses foram dias conturbados, aconteceram muitas coisas: Meu marido ficou doente, minha casa inundou, essas coisas.
Bom agora que meu marido está melhor e minha casa não está com uma lagoa interna posso voltar a escrever.
Ainda chove. Chove abundantemente. Morros ao redor de onde eu moro desmoronam. Mas estou segura – ao menos penso que sim. Mesmo assim procuro por uma nova casa. Uma que dê para fazer um quarto para um neném e tenha garagem. Coisa rara nessa cidade. Um monte de casas e apartamentos não tem garagem e não falo de uma cobertura, uma simples entrada para carros é um luxo. Fazer o quê? Bater perna é o que me resta.
Enquanto isso espero.
A chuva passar;
O especialista ver meu marido;
O resultado da seleção de tutores;
Ver meus parentes;
Uma grande amiga voltar para o Brasil e outra me visitar!!!

“Por hoje é só pessoal.”

Joviais e Balzaquianas Saudações!