Tem coisas que nos acompanham sempre. Coisas boas, como amigos, bons momentos, aquela história que te faz suspirar sorrindo e que outros não entenderiam... já outras coisas que se pudéssemos escolher, escolheríamos esquecer ou simplesmente não ter. Tenho três delas: uma história familiar com alcolismo, o primeiro namorado que foi um canalha e me perseguiu por anos e uma doença psiquiátrica.
Tenho síndrome do pânico. Tinha no passado, tenho no presente e terei no futuro.Crise feia mesmo, que precisei de psiquiatra, remédio e psicoterapia foi uma só – espero que nunca mais tenha assim. Mas lembro da primeira vez que tive um ataque:
Eu estava no último ano na faculdade que fiz no interior do Paraná, e fui a um congresso em São Paulo, capital. Eu estava exausta, pois na mesma semana tive o trabalho normal de professora e ainda ajudei na eleição do DCE da universidade. Logo que cheguei saí com alguns amigos e outros conhecidos – o congresso começaria no dia seguinte. Estávamos no metrô e eu fui uma das últimas a passar na catraca. Quando fui passar, simplesmente travei. Não conseguia passar na catraca. Meu cérebro deu “tilte” e simplesmente resolveu que minhas pernas não moveriam um músculo. Eu só dizia: “Eu não posso passar!” Meus amigos (amigos de verdade, pessoas que até hoje prezo muito) riam, riam muito e respondiam: “Pode, pode sim! Vamos, passa logo!”.
Eu estava lá parada. Não conseguia passar, a certeza que eu tinha é que se tentasse o mundo desabaria aos meus pés. Pode parecer louco, mas foi real. A solução quem deu foi um conhecido , ele não era meu amigo, tínhamos nos visto apenas uma vez antes daquele dia: ele chegou perto de mim e com uma voz que inspirava compaixão, mas não pena ou escárnio, disse: “Tudo bem, tudo vai dar certo! Eu te ajudo pegue minha mão. Não vai acontecer nada.” E segurando a mão dele, mas sem confiança, atravessei.
Naquela época não entendi o que se passou e atribuí ao estresse aquela triste cena. Só depois que tive minha crise grande e fui ao médico passei a entender. Infelizmente não acho que tenha agradecido o suficiente essa pessoa que foi pra mim um anjo.
Essa história toda veio a tona por conta de uma discussão que tive com uma amiga que acha um absurdo eu não acompanhar meu marido a um congresso no exterior no meio do ano. Acontece que ele vai para um país do leste europeu e meu inglês é ridículo. Quem conhece meu marido sabe que ele vai ao congresso e participa realmente dele. Eu estaria sozinha, no máximo jantaria com ele algumas noites. Nem todas porque em algumas há atividades do próprio congresso. Mas como poderia ir, e me virar sozinha em um país exótico, que não é grande destino turístico, sem falar uma outra língua que não o português? Isso depois de umas dezoito horas de vôo – e eu tenho um enorme medo de voar?
Tem coisas que devemos simplesmente enfrentar para que o medo não nos paralize. Tem coisas que devemos ser sábios e não confrontar. Por isso pego um vôo de uma hora e meia para ver minha família no máximo a cada dois meses. Porém pegarei esse mesmo vôo e ficarei com eles enquanto aguardo o retorno do meu marido.
Joviais e Balzaquianas saudações!
Joviais e Balzaquianas saudações!
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