quarta-feira, 27 de julho de 2011

Aniversário

Tem vezes que parece haver uma nuvenzinha negra sobre nossas cabeças. Nessa última semana foi assim: compramos um carro- coisa boa, queríamos já há um tempo. Quase que imediatamente eu perco a carteira, não, não fiz 20 pontos, ela sumiu simplesmente. Estou esperando a segunda via.
Claro que fiquei decepcionada. Para completar Papai do Céu resolveu ainda fazer chover esses dias e eu tinha que ir e vir me molhando, com o carro – abastecido! – na garagem.
Depois disso eu ainda consegui queimar minha máquina de lavar – de longe o eletrodoméstico mais útil em uma casa. Agora espero o resultado do prejuízo, na forma do orçamento do concerto, com o técnico que a levou.
É claro que fiquei fula! Braba! Chateada!
Mas hoje acordei bem. Acordei feliz e disse ao meu marido: “Feliz aniversário amor!!!” Ganhei café na cama, o que é habitual, mas hoje foi com um esforço que meu marido me trouxe, uma vez que ele estava atrasado.
Hoje é aniversário do nosso casamento. Faz quatro anos que casamos. É também o aniversário natalício dele, foi ele quem escolheu a data. Escolhemos casar de “papel passado” justamente porque iríamos nos separar. Casamos em julho, no início de agosto ele mudou para São Carlos e eu fiquei em Curitiba. Só começamos a viver juntos em dezembro, mas ainda não era certo, dependia de um emprego, que afinal eu acabei conseguindo. ’
Antes de casar eu achava que não havia diferença entre casar “papel passado” e morar junto, foi só depois que casei e fiz uma festa bem inusitada, bem ao nosso gosto, que percebi que há diferença sim! A diferença se realiza porque eu estava tão feliz, tão feliz, tão feliz que queria dividir com as outras pessoas que eu amava. Além disso, meu casamento trouxe outras coisas boas para mim: como uma reconciliação com minha irmã, nos falávamos e tudo mais, mas estava com a relação estremecida. Minha irmã cuidou tanto de mim e do meu casamento que tudo deu certo. Também fiquei muito feliz por minhas melhores amigas virem de outras cidades só para o casório.  Foi muito legal.
Bom antes de terminar tenho que registrar um conselho a pessoas que ficaram noivas ou pensam em casar: Não escutem as muitas pessoas que dirão: “casar pra quê?” “Ficou maluco (a)?” Casamento é uma experiência pessoal, que pode ser boa ou ruim, mas você só vai saber casando. Então, se você já é adulto (pessoalmente acho importante uma certa maturidade pessoal para casar) e tem certeza do que está fazendo: case!
Joviais e balzaquianas saudações!

domingo, 3 de julho de 2011

ELE, CARMEM, WILLIAM E HORÁCIO



Carmem, William, Horácio. Estes três na minha cama fazem um belo domingo! Acordei tarde e quando dei por mim já estava na envolvida com essas figuras enquanto o sol escapava pela cortina entreaberta e teimosamente esquentava meu pé.
Sem dúvida esse é um ótimo jeito de começar o “dia de descanso”: ouvíamos Carmem, ópera de Bizet, meu marido lia Romeu e Julieta, de William Shakespeare, e eu era apresentada ao maravilhoso Horácio Quiroga.
Sem a rotina do “dia de semana”, temos domingos assim: por vezes de literatura, como hoje, outros de gastronomia, quando ficamos o dia todo as voltas com panelas ou passeios e amigos, e ainda os de futebol, quando o dia se passa entre mesas redondas e partidas. Apesar do começo literário, o futebol virá já que hoje é a seleção que joga.
O bom disso tudo, na verdade é a forma que esses domingos se dão, principalmente pelo sentimento que envolve meu marido e eu. Com o silêncio companheiro da leitura que cada um faz, a conversa com outros - que torna olhares nosso melhor meio de comunicação ou simplesmente uma forma de certificar-se de que o outro está bem. No caso do domingo ser de esportes há as concordâncias e discordâncias, o pênalti que houve ou não, o craque que já foi ou será. Enfim, são domingos prazerosos.
Melhor que isso só quando temos clareza sobre aqueles que nos cercam – mesmo a distância, sobre como os amamos e como a vida se dá. Como ela é difícil e espinhosa, mas bela e gratificante.
Sentir tudo isso com esses quatro na cama: o amor de minha vida, Carmem, William e Horácio, lembrar de tudo o que tenho e o que ainda vou construir me fazem suspirar feliz!
Bom domingo.
Joviais e balzaquianas saudações.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Esclarecimento

Conversando com uma amiga, percebi um pequeno problema: a foto que abre o blog não tem legenda. Pode parecer mentira, mas a fotógrafa dessa foto sou eu! Eu a tirei quando fui conhecer o litoral capixaba. Lindo, não?
Quando cheguei ao balneareo, que chama "Castelhanos" e fica em Itapemirim (eu acho) fiquei emocionada. Tudo bem que não conheço muitos lugares, mas até a data de hoje é o lugar mais lindo que vi. Tem, na minha opinião um defeito grave: a água é gelada. Parece que colocaram cubos de gelo de tão fria. Eu que gosto de um mergulho sofro bastante. A sorte é que o visual compensa.
Deve parecer estranho postar a beleza cinza de Curitiba e também elogioar o mar capixaba! Mas o olhar mais sensível vislumbra tudo: o mar capixaba é de beleza tradicional, ninguém contesta, já Curitiba é da beleza que vem do coração, da forma como eu vejo a cidade.
Até segunda ordem me divido entre as duas belezas, indo e vindo nesses lugares. Definitivamente não é algo ruim!

terça-feira, 24 de maio de 2011

Frias e belas terras


Direto das frias terras paranaenses! Estou com minha família em Curitiba. É um tal de ficar com o pai, ir para a madrinha, enfim uma DELÍCIA!
Amo minha casa no Espírito Santo: é uma terra linda, de paisagens sem igual, de um pôr-do-sol deslumbrante, mas esse acinzentado curitibano de inverno pra mim é melhor! Claro que o que me faz achar isso são as relações afetivas que eu tenho aqui. É ao crepúsculo estar conversando com minha madrinha. É meu pai reclamando que não dá pra ser feliz no frio. É minha irmã com camadas e mais camadas de blusas de lã – muito mais que o necessário É minha madrasta andando de um lado para outro, fazendo mil coisas. São minhas tias tomando café e conversando, sempre acaloradamente, aos domingos.  Tenho certeza que é por isso que as cores curitibanas me parecem tão belas e felizes, mesmo quando cinza.
Eu gostaria de ficar mais tempo. Ir a Ponta Grossa, rever amigos, conhecer as crianças que nasceram. Não consegui nem ver a filhinha de uma amiga que mora na região metropolitana. Mas mesmo isso me deixa feliz. Não consegui porque os parentes próximos não deixam. Meu pai e minha madrinha são suficientes para eu ter o que fazer um milhão de coisas – e isso é o máximo. Até o ataquezinho de ciúmes do meu pai me deixa lisonjeada!
Mas minha vida é boa! Tenho que voltar para o Espírito Santo, para meu marido e isso também me deixa feliz. Vai ser bom matar a saudades que já estão grandes.
Talvez esse sentimento mereça um texto só para ele. Então paro por aqui.
Joviais e Balzaquianas saudações!

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Assuntos variados



Morar em uma cidade do interior tem inúmeras vantagens e outras tantas desvantagens.
Como mudei a pouco para uma nova casa estive provando as desvantagens. Serviços certamente não são executados aqui como em uma cidade maior. Mas fazer quê? Só ter paciência.
Acontece que essa semana além de confusões por serviços enrolados, mal prestados e afins estou com outro grande problema: duas amigas daquelas que se guardam no coração fizeram aniversário e não consegui sequer falar com elas. Isso me chateia profundamente ainda mais porque acredito que ambas estão na mesma cidade e seria maravilhoso vê-las nessa data. Fico me perguntando se elas comemoraram ou comemorarão em algum momento juntas. Num passado que compartilhamos a resposta seria certa: sim! Hoje tenho a impressão que eu estou mais próxima das duas do que elas entre si. Nada que tenha acontecido, só a vida que aproxima e afasta pessoas.
Enfim, se lerem esse texto saibam que moram no meu coração.
Como faz tempo que não escrevo tem mais coisas a contar: fiz o concurso dos Correios. Acho pouco provável que passe, muitos candidatos, poucas vagas, prova excessivamente fácil, essas coisas... Mas fico pensando se eu passar: será muito estranho e engraçado eu trabalhando numa agência dos Correios, sem criança, sem planejamento, sem cadernos, sem tudo que aprendi a fazer. Seria engraçado, mas bom. Diferente dá medo, assusta, mas algumas vezes á bom!

Joviais saudações

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Livros e Filmes

Eu gosto muito de ler. Se eu gosto de um livro eu o devoro... Também gosto de cinema, só que em proporção menor. Até hoje nenhum, absolutamente nenhum filme que tenha visto supera o texto que tenha lhe dado origem, obviamente daqueles que li e que vi o filme. Eu disse até hoje.
Muito animada saquei da estante Rudyard Kipling. Comecei a ler a coletânea de contos dos “Clássicos Abril”. Como eu sempre respeito à ordem dos contos pensada pelo autor/editor li o primeiro. Levei quase uma semana pra ler pouco mais de 40 páginas, mesma quantidade que leio usualmente em uma hora. Mas não desisti, na verdade queria ler “Mowgli”, pois o filme tem um lugar nas boas lembranças daquele tempo em que somos inocentes.
Com muito esforço cheguei até o tal conto. E li. Inteiro.
Resultado: o filme vai continuar na memória, já o livro acaba de voltar pra estante sem que eu tenha terminado – um dos poucos na minha vida, pois eu geralmente termino o livro que começo a ler e o filme que começo assistir, por pior que me pareçam.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

TPS - ou Tensão Pré Sogra

Existem coisas na vida que precisamos registrar quando ocorre sob a possibilidade do tempo fazer com que nossas percepções mudem drasticamente nossos sentimentos. Para garantir que isso não ocorra escrevo hoje. Aconteça o que for de agora até domingo preciso registrar o que está se passando agora.
Estou recebendo a visita de minha sogra. Estive muito preocupada com isso, pois da última vez que nos encontramos foi um desastre. As circunstâncias eram muito diferentes, estava na casa dela, com o Giba trabalhando feito um louco. Palavra de honra que reviso sempre minhas ações e não consigo ver algo que justificasse a explosão de minha sogra. Porém o que houve na ocasião não é relevante. A questão é que ela veio me visitar.
No começo fiquei braba, chateada, não pela vinda em si, mas por isso significar que eu não iria ao Paraná, ver “a parentada”. Depois pensei: o que se há de fazer? Mesmo assim fiquei apreensiva. Meu marido também ficou, mas sem falar nada...
No fim, depois de altas aventuras por parte dela que se recusando pegar um vôo, enfrentou vinte e quatro horas de viagem, tudo parece bem. Claro, aqui é diferente, aqui é minha casa, mesmo assim a gente sempre teme!
 Claro que meu marido muito esperto está ajudando, hoje ele convidou um amigo para almoçar conosco. Uma figura maravilhosa: muito animado, alegre, querido, uma alma singularmente boa. E ainda conhecido da minha sogra. Perfeito!
Para melhorar a coisa essa figura já combinou, junto com outros amigos, para irmos amanhã ao litoral num festival de mariscos e minha sogra topou! Gente – e ainda melhor, minha gente – ajuda a dissipar qualquer tensão.
Então o que quer que aconteça até agora tudo está bem e isso já é ótimo!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Coisas

Esta é uma semana esquisita. Coisas interessantes, coisas que não gostaria que acontecesse...
Uma boa amiga ontem partiu de Alegre. Ela conseguiu uma vaga de distribuição para o interior do Paraná. Fiquei muito feliz por ela. A situação dela estava se enrolando já há meses e repentinamente se resolveu. Fiquei feliz por ela e triste por perder uma das pessoas que acima de ter como amiga eu me identifico. Claro que é provável que o contato seja mantido, mas nesse caso a presença dela e da sua família aqui era essencial... Em outra perspectiva eu já estou ficando craque em amigos queridos longe!
É diferente, dá saudade, tristeza quando ficamos muito tempo longe, mas é muito bom perceber que a amizade permanece mesmo “que o tempo e a distância digam não”.
As boas novas são que já tenho coisas para pensar e fazer, concursos, seleções. Quem sabe consigo mudar meu status de desempregada para empregada novamente.
Esse eu acho que seja o motivo de uma pequena alteração que tive com meu marido. A gente se estranha tão pouco que não sei o que fazer ou sentir quando acontece. Acho que a situação se deu porque meu marido tem MUITO que fazer e eu MUITO POUCO. Para alguns pode não ser um problema, mas para mim é dos grandes. Sempre fiz milhões de coisas ao mesmo tempo e principalmente sempre me sustentei. De qualquer forma, parece que isso irá se resolver também.
Tem uma coisa que descobri essa semana, quando recebi um telefonema de uma moça que está a um oceano de distância e que me deixou muito feliz: pessoas lêem meu blog. Certo, essa é a função de um blog, quem escreve e publica é na perspectiva que alguém leia, mas imaginar não é o mesmo que saber. E mais: saber que pessoas importantes o fazem é muito legal. Então aí vai um recado para algumas dessas pessoas: já que resolvi escrever um blog tenho que estar preparada para as reações que esse tipo de escrita provoca, portanto podem postar “tirações de sarro”, contato que bem educadas – sei que meus amigos são bem educados, mas acho que não conheço todos que tem acesso ao blog, então melhor deixar claro.
É difícil estar mais uma vez começando, mas com tantas pessoas boas ao meu lado, seja esse lado perto ou longe, as coisas se tornam mais aceitáveis, no sentido correto. Fazem com que a dificuldade não se traduza em tristeza.

Joviais e balzaquianas saudações

segunda-feira, 28 de março de 2011

Velhas Desventuras, Novas Consequências...





Tem coisas que nos acompanham sempre. Coisas boas, como amigos, bons momentos, aquela história que te faz suspirar sorrindo e que outros não entenderiam... já outras coisas que se pudéssemos escolher, escolheríamos esquecer ou simplesmente não ter. Tenho três delas: uma história familiar com alcolismo, o primeiro namorado que foi um canalha e me perseguiu por anos e uma doença psiquiátrica.
Tenho síndrome do pânico. Tinha no passado, tenho no presente e terei no futuro.Crise feia mesmo, que precisei de psiquiatra, remédio e psicoterapia foi uma só – espero que nunca mais tenha assim. Mas lembro da primeira vez que tive um ataque:
Eu estava no último ano na faculdade que fiz no interior do Paraná, e fui a um congresso em São Paulo, capital. Eu estava exausta, pois na mesma semana tive o trabalho normal de professora e ainda ajudei na eleição do DCE da universidade. Logo que cheguei saí com alguns amigos e outros conhecidos – o congresso começaria no dia seguinte. Estávamos no metrô e eu fui uma das últimas a passar na catraca. Quando fui passar, simplesmente travei. Não conseguia passar na catraca. Meu cérebro deu “tilte” e simplesmente resolveu que minhas pernas não moveriam um músculo. Eu só dizia: “Eu não posso passar!” Meus amigos (amigos de verdade, pessoas que até hoje prezo muito) riam, riam muito e respondiam: “Pode, pode sim! Vamos, passa logo!”.
Eu estava lá parada. Não conseguia passar, a certeza que eu tinha é que se tentasse o mundo desabaria aos meus pés. Pode parecer louco, mas foi real. A solução quem deu foi um conhecido , ele não era meu amigo, tínhamos nos visto apenas uma vez antes daquele dia: ele chegou perto de mim e com uma voz que inspirava compaixão, mas não pena ou escárnio, disse: “Tudo bem, tudo vai dar certo! Eu te ajudo pegue minha mão. Não vai acontecer nada.” E segurando a mão dele, mas sem confiança, atravessei.
Naquela época não entendi o que se passou e atribuí ao estresse aquela triste cena. Só depois que tive minha crise grande e fui ao médico passei a entender. Infelizmente não acho que tenha agradecido o suficiente essa pessoa que foi pra mim um anjo.
Essa história toda veio a tona por conta de uma discussão que tive com uma amiga que acha um absurdo eu não acompanhar meu marido a um congresso no exterior no meio do ano. Acontece que ele vai para um país do leste europeu e meu inglês é ridículo. Quem conhece meu marido sabe que ele vai ao congresso e participa realmente dele. Eu estaria sozinha, no máximo jantaria com ele algumas noites. Nem todas porque em algumas há atividades do próprio congresso. Mas como poderia ir, e me virar sozinha em um país exótico, que não é grande destino turístico, sem falar uma outra língua que não o português? Isso depois de umas dezoito horas de vôo – e eu tenho um enorme medo de voar?
Tem coisas que devemos simplesmente enfrentar para que o medo não nos paralize. Tem coisas que devemos ser sábios e não confrontar. Por isso pego um vôo de uma hora e meia para ver minha família no máximo a cada dois meses. Porém pegarei esse mesmo vôo e ficarei com eles enquanto aguardo o retorno do meu marido.

Joviais e Balzaquianas saudações!

terça-feira, 22 de março de 2011

...

Depois de três gloriosos dias sem chuvas significativas hoje voltou a chover. Parece-me emblemático que um pouco antes eu tenha visto uma cena chocante: uma mulher jogando lixo na encosta de um morro.
A cidade não está entre as dez mais em limpeza urbana, mas o caminhão de lixo passa em quase toda ela. Aonde não passa, como na minha casa, não se precisa andar mais que uma quadra. Então me pergunto: por que fazer isso? Não pode ser falta de informação. A televisão ensina como fazer, a escola reforça, campanhas são feitas...
E ainda vejo o lixo no meio do morro.
Será que é necessário mais casas desabaram? Já não sei.
A única coisa que tenho certeza é que isso me entristece profundamente.
Da maneira que fui criada parece insano viver assim. Mas aqui se vive...
Joviais e balzaquianas saudações.

domingo, 13 de março de 2011

Domingo



Este sempre é um dia estranho, preguiçoso. Quando trabalhava e estudava este representava o fim da moleza e, portanto diferente do sábado em que eu estava disposta a arrumar a casa, sair, passear, badalar... Domingo era dia de coisas mais relaxantes, cozinhar, ler um bom livro, ver um filme, conversar com os amigos – claro que em geral fazia duas ou mais dessas coisas ao mesmo tempo, pois uma de cada vez sempre me pareceu perda de tempo, excetuando a leitura é claro. De toda forma domingo sempre foi melancólico.
Hoje meus domingos são diferentes, não por conta deles em si e sim por segunda-feira não mais representar a volta de uma inexorável rotina. No entanto os reflexos desse tempo se fazem sentir ainda e domingo continua melancólico.
Esses últimos dias vivi intermináveis domingos. Chove todos os dias e como moro em uma região de morros vejo cotidianamente lama, pedras e terra descer pelas encostas e ruas. A cidade parece ruir.
Ao que tudo indica estou em uma região segura e o ângulo do morro em que me encontro favorece em muito essa idéia. Ainda assim é difícil ver diariamente casas ameaçadas, ruas fechadas, amigos em apuros, pois o abastecimento de água não ocorre em toda a região.
Por ironia a cidade da minha infância, distante mais de mil quilômetros daqui vive situação semelhante. Dá uma sensação de que não há escapatória e que segurança e conforto são palavras vazias.
Pode parecer estranho, pois como já afirmei que estou em segurança e aqui não há qualquer problema para abastecimento de água, energia, comida... O que ocorre é que ver, saber, que outros seres humanos, e mais seres humanos ao alcance da visão perderam o pouquinho de segurança e conforto que tinham aperta o coração.
Mesmo sabendo que em horas assim não há nação mais solidária que a nossa: água, comida e cobertores logo chegarão aos necessitados, quando a chuva cessar e os dias se sucederem e a solidariedade for se derretendo conforme o sol seca a terra a maior questão fica:
Em que pedaço de chão essas pessoas reconstruirão sua vida? Continuarão penduradas em casas construídas só com o conhecimento práticos em lugares em que nem ótimos engenheiros fariam cálculos suficientes para segurança? Nada contra o conhecimento prático, mas a experiência diz que numa casa a segurança está na união do conhecimento acadêmico ao prático. No próximo ano veremos mais enchentes e deslizamentos? Acredito que sim.
Isso faz com que a melancolia domingueira pareça uma doce comemoração perto da das pedras e lama que cobrem as ruas da cidade onde moro e a cidade onde cresci.

Joviais, balzaquianas e preocupadas saudações

quinta-feira, 10 de março de 2011

Um bom dia

Quem convive com o meu marido não imagina. Nem pode. Existe um dele só pra mim. É um cara falante, bem humorado, que vive me fazendo rir... Hoje foi assim, mais um dia chuvoso, em que estou presa dentro de casa e ele ao chegar em casa para o almoço me fez rir... transformou a tarde.
Minha vida ultimamente está tão boa que tenho medo que tudo acabe, mude... Mas tudo bem. Ter medo de perder o que gostamos é normal. Só não podemos deixar o medo tomar conta.
É claro que minhas desventuras, como nos textos anteriores, por vezes acontecem, mas nem contam quando tenho dias como hoje.

Joviais e Balzaquianas Saudações

quarta-feira, 9 de março de 2011

Mais desventuras

Pode até parecer, mas não desisti!
Esses foram dias conturbados, aconteceram muitas coisas: Meu marido ficou doente, minha casa inundou, essas coisas.
Bom agora que meu marido está melhor e minha casa não está com uma lagoa interna posso voltar a escrever.
Ainda chove. Chove abundantemente. Morros ao redor de onde eu moro desmoronam. Mas estou segura – ao menos penso que sim. Mesmo assim procuro por uma nova casa. Uma que dê para fazer um quarto para um neném e tenha garagem. Coisa rara nessa cidade. Um monte de casas e apartamentos não tem garagem e não falo de uma cobertura, uma simples entrada para carros é um luxo. Fazer o quê? Bater perna é o que me resta.
Enquanto isso espero.
A chuva passar;
O especialista ver meu marido;
O resultado da seleção de tutores;
Ver meus parentes;
Uma grande amiga voltar para o Brasil e outra me visitar!!!

“Por hoje é só pessoal.”

Joviais e Balzaquianas Saudações!

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Desventura

“Foi só um dia ruim. Amanhã será diferente. Não se preocupe.” Foi assim que meu marido me consolou a pouco.
Mas hoje não foi só um dia ruim. Foi um dia inútil. Não fiz nada, nada mesmo. Nem as famigeradas tarefas domésticas. Houve um tempo que um dia assim seria a glória, só que esse tempo é passado. Nessa época eu trabalhava como professora em tempo integral e fazia faculdade, e na faculdade eu me desdobrava, fui boa aluna e militei no Movimento Estudantil. Em alguns períodos também namorei. No último ano passei uma semana dormindo umas 3 ou 4 horas por dia para poder, junto com outras  pessoas é claro, organizar a eleição do DCE, além de fechar as notas bimestrais de meus alunos.
Essa foi uma época em que eu ouvia de forma recorrente de um amigo: “você é capaz de parar? Lagartear por cinco minutos? Senta aí e sossega, no mínimo uns dez minutos, aproveita o dia de folga.” Dois minutos depois: “Ok! Você não é capaz disso! Eu desisto!”
E hoje? Hoje a vida não nem um pouco assim e eu me fico sentida, mexida, preocupada. Essa “eu” que aqui está com tempo de escrever na internet não é a “eu” com quem eu me identifico. Nem sei direito quem ela é.
Por muito, muito tempo a parte mais importante de mim era a professora. E essa daí também não parava, fazia cursos, participava das coisas... Faz um ano que eu não me encontro com ela, então muitas vezes não sei o que fazer...
Claro que o fato de eu estar com uma baita TPM daquelas também não ajuda em nada, mas ainda assim. A TPM potencializa, faz com que eu veja profundamente algo que sempre carrego comigo e que escolho vivenciar com cores menos fortes, só que sempre está lá. Nos dias “normais” – as aspas são porque TPM é normal, mesmo que me transforme em uma maluca chorona - faço com que as coisas fiquem mais leves, tenham outro sentido.  
Sei que meu marido tem razão, amanhã pode ser diferente, mas respondam-me: já viram razão em uma mulher com TPM?

Joviais, balzaquianas e loucas saudações

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Amigos

Tenho sorte, muita sorte!
Tenho amigos. Sabem o quanto isso é importante para uma balzaquiana? Muito!
Tenho amigos recém feitos e amigos antigos. Tenho aqueles que converso frivolidades e volto feliz para casa. Ainda há aqueles que quando vejo e converso descubro o melhor de mim. Tem aqueles que quase nunca falo, mas que levo no meu coração e eu sei estou com eles.
E tem uns dois ou três que são diferentes: são aqueles que posso falar ou não, demorar anos para ver e ainda assim a amizade seria o que há de mais forte... Anteontem conversei com alguém assim. Ela está a um oceano de distância. A meses de uma garrafa de vinho e risada e ainda assim é uma pessoa muito importante na minha vida! É tão bom reconhecer isso e mais perceber que para minha maior sorte essa não é minha única amiga – e mesmo que fosse já seria muito.
O tempo passa cada vez mais rápido é bom que isso se faça com boas companhias, na memória, no coração, no cotidiano...

Joviais e Balzaquianas saudações


terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Passos

Pois é... Acho  acertei o momento de começar a escrever: segundo dia e já tenho o que contar.
Então vamos ao começo: como a maioria das mulheres que tornam-se balzaquianas eu passei por uma fase de auto-análise. O que eu descobri? Que ao fazer 30 ainda não tinha qualquer tipo de pós-graduação, não tinha filhos e nem um emprego.
Pronto! Tenho os ingredientes para um bom drama mexicano. Mas nasci no Brasil e faz uns dez ou doze anos que decidi que evitaria dramas de qualquer espécie. Então após um ano de adaptação a cidadezinha que vim morar devido ao emprego do meu marido hoje dei passos importantes:
Número um: fui ao ginecologista, farei uns exames e se tudo correr bem começo a tentar engravidar.
Número dois: verifiquei e já organizei o que necessito para fazer uma pós-graduação. A inscrição será feita amanhã.
Alguma outra balzaquiana deve pensar: porque essa doida quer fazer tudo ao mesmo tempo? A questão é tudo não, duas das três coisas eu acho que são compatíveis, então dou um tempo em procurar emprego quando e se engravidar. Enquanto não arranjo trabalho posso me dedicar de forma adequada aos estudos, coisa que não faço desde que terminei o Ensino Fundamental, pois desde então trabalho e estudo.
Fazer uma especialização em uma faculdade particular sem grande expressão não era exatamente meu plano, mas pode ser um bom caminho para aquilo que eu realmente quero: o mestrado em uma boa universidade.
Talvez os planos de gravidez se interponham ao mestrado, pois estou a quatro horas da cidade mais próxima que tem um bom, mas é um risco que quero correr, não quero esperar mais pra fazer algo acadêmico ou para ser mãe. Eu conto com um bom companheiro que vai me ajudar a dar conta de tudo e assim mudar o enredo de drama mexicano.
E assim a vida segue.

Joviais e balzaquianas saudações!!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Começo

Tudo começou a pouco mais de um mês: eu definitivamente virei uma balzaquiana! Levei um susto, pois o danado do espelho não havia contado nada.
Chovia, chovia muito. Fiquei ensopada! Era o meio de uma viagem que meu marido fez comigo para tornar essa história de fazer 30 mais fácil. Ele acertou em cheio! Foi ótimo. Ainda mais que eu sei foi pra ele uma tremenda aventura, uma vez que o moço detesta viajar, claro que se o destino for um congresso a coisa muda de figura.
Já deu para perceber que sou casada com um cara apaixonado por seu trabalho. Tenho a mais absoluta certeza que sou a pessoa que ele mais ama no mundo, só não garanto que ele ame mais o trabalho do que a mim. Mas isso definitivamente não tem importância.
Em meio a essa mudança, uma vez que irremediavelmente me tornei "trintona", decidi iniciar um blog pra compartilhar as dores e os amores dessa nova fase, bem como me forçar a manter o saudável hábito da escrita!
Para inicio de conversa é só: mais tarde talvez eu escreva mais.

Joviais e balzaquianas saudações